PDT E PSB avançam no diálogo para formar Federação Partidária

Direção nacional do PDT autorizou negociações com outras siglas, com prioridade para os socialistas. Em São Sepé, possível aliança não altera as posições distintas dos dois partidos em relação ao governo municipal.

O Diretório Nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT) aprovou, na tarde de terça-feira (27), uma resolução que autoriza a Executiva Nacional a avançar nas negociações sobre uma possível federação, fusão ou incorporação com outras siglas do campo de centro-esquerda. A prioridade estabelecida é a construção de uma federação com o Partido Socialista Brasileiro (PSB).
A decisão foi tomada durante reunião realizada na sede da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, no Rio de Janeiro (RJ), com a participação de dirigentes, parlamentares e representantes dos movimentos partidários.
A Executiva Nacional também ficará responsável por conduzir as discussões sobre o manifesto político, os programas regionalizados, os estatutos e a eventual denominação da federação em cada Estado. A definição deverá considerar os debates previstos para um encontro político em janeiro de 2027, em Niterói (RJ).
Conduzido pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o encontro também promoveu uma avaliação da conjuntura política brasileira após as eleições,
incluindo o resultado que garantiu a Lula um novo mandato presidencial. Segundo Lupi, o objetivo é construir uma alternativa política que preserve a identidade histórica do trabalhismo e assegure condições para a reorganização
partidária. Além do PSB, o PDT mantém diálogo com Avante, PRD, Solidariedade, PSDB, Cidadania, PSOL e Rede. “Estamos buscando o avanço do partido a partir da proteção da nossa história e da nossa marca. Com as negociações avançando, vamos definir um caminho seguro e coerente para o PDT. O caminho natural é a federação com o PSB, mas existe também o
diálogo com outras siglas”, afirmou.

Juliana Brizola defende reorganização do partido Presidente nacional da Ação da Mulher Trabalhista (AMT), Juliana Brizola
destacou a importância de preservar o legado político do PDT e, ao mesmo tempo, promover uma reflexão sobre os desafios enfrentados pela legenda. “É o momento da autocrítica, mas não existe pessoa mais qualificada para conduzir e manter o PDT. Confiamos na Direção Nacional e precisamos dialogar com os partidos a partir das realidades locais. Como Leonel Brizola
ensinou, nós vamos seguir lutando e não temos direito de fazer diferente”, declarou.
Participaram do encontro, entre outras lideranças, a senadora Leila Barros, os deputados federais Félix Mendonça e Pompeo de Mattos, os deputados estaduais fluminenses Martha Rocha e Vitor Júnior, a senadora eleita por Pernambuco Marília Arraes, a deputada estadual eleita pelo Rio de Janeiro Fernanda Neves e representantes dos movimentos partidários.

João Luiz Vargas articula diálogo no Rio Grande do Sul O ex-prefeito de São Sepé, João Luiz Vargas, também participou da reunião e deverá promover encontros no Rio Grande do Sul com integrantes do PDT e do PSB. A iniciativa busca avaliar as particularidades regionais e municipais, além das condições políticas para a eventual formação da federação no Estado.
Para João Luiz, a reorganização partidária é uma resposta às mudanças nas regras eleitorais e à necessidade de fortalecer projetos políticos com afinidade ideológica. “A legislação eleitoral indica que o número de partidos vai diminuir, então as siglas com alinhamentos ideológicos terão que fazer federações. É natural que os partidos de centro-esquerda estejam unidos em uma mesma
federação, não só para superar a cláusula de desempenho prevista na legislação, mas também para sinalizar ao eleitor uma alternativa política que não esteja nos extremos”, avaliou.
Em São Sepé, uma eventual federação entre PDT e PSB terá de conviver, ao menos inicialmente, com posições distintas em relação à administração municipal. Enquanto o PDT atua na oposição ao governo do prefeito Marcelo Ellwanger, o PSB integra a base governista.
João Luiz Vargas avalia que essa diferença não impede o avanço das conversas nacionais e estaduais. Segundo ele, a possível federação não altera automaticamente a atuação cotidiana das siglas neste momento. “Isso não importa, porque cada partido terá sua independência de atuação. O alinhamento é necessário no período da disputa eleitoral, apenas em 2028, e isso não está em discussão neste momento. O PDT vai seguir sua atuação como oposição, enquanto o PSB pode continuar vinculado ao governo
municipal. O alinhamento é no cenário nacional, onde tanto os trabalhistas quanto os socialistas já estavam alinhados com Juliana Brizola e Lula”, concluiu.
As negociações seguem sob responsabilidade da direção nacional do PDT. A construção de uma eventual federação deverá considerar tanto os objetivos políticos nacionais quanto as realidades regionais, em um processo que poderá
redefinir alianças e estratégias eleitorais para os próximos anos.